Rap é coisa de gay

"Ser gay não tem nada a com as bases deste estilo de música (…) Não existe nem um homem de sucesso que seja gay no hip-hop". O título do meu artigo e estas frases foram ditas por ninguém nada menos conhecido por 50 Cent na imprensa americana, ele declarou ainda que sua mãe era bissexual

por Paulo Shetara

Há certos grupos religiosos, políticos ou culturais que são basicamente homofóbicos ( tem aversão a homosexuais ). É o caso de fundamentalistas cristãos (católicos e/ou protestantes), judeus ou muçulmanos, de grupos da extrema-direita (neo-nazistas, carecas,  facistas, etc.) ou de extrema-esquerda (comunistas ortodoxos e maoístas), das claques de futebol (hooligans), gangues norte-americanas ligados à cultura  hip hop e são copiados um pouco por todo o mundo (em Portugal, representados por bandos de jovens delinquentes suburbanos chamados "gunas"). As associações acadêmicas de estudantes também cultivam a homofobia, por vezes de modo virulento.

"Ser gay não tem nada a com as bases deste estilo de música (…) Não existe nem um homem de sucesso que seja gay no hip-hop". O título do meu artigo e estas frases foram ditas por ninguém nada menos conhecido por 50 Cent na imprensa americana, ele declarou ainda que sua mãe era bissexual e que gosta de ver lésbicas, coisa já vista no seu clipe Disco Inferno, com um monte de mulheres seminuas se beijando e ele no meio. Outro do time do 50 Cent que já teve muito problema com a comunidade GLS ( Gays, Lésbicas e Simpatizantes ) mundial foi o Emenim  pelas suas letras homofóbicas, mas depois de apanhar na imprensa,  fez uma auto-crítica e até acabou cantando uma música junto com o homossexual Elton John.

Aqui no Brasil, que tem maior Parada Gay do mundo, vários rappers foram vistos pela avenida Paulista na parada, ou se não eram rappers, pelo menos se vestiam como tal. Hoje no Brasil, o movimento Hip Hop tem sido parceiro no movimento social em várias atividades do movimento sem-terra, sindical e GLS  ( Gay,Lésbicas e Simpatizantes ). No site enraizados, o rapper Lamartine desenha bem esta parceria num artigo que cita a vigilia protesto que fizeram na Praça da República em São Paulo quando grupos neonazistas mataram um homosexual negro, e relata sua  decepção nesse ato, pois o Hip Hop, segundo ele, não esteve presente de forma massiva.

O produtor e parceiro do rapper MV Bill, Celso Athaíde em entrevista no site real Hip Hop, já disse que tem o projeto de lançar um grupo de Rap Gangsta Gay, segundo ele seria de  gays assumidos, cantando gangsta rap com cara feia  e tudo, para somente provocar os machistas. Além da polêmica, penso, que ele iria conseguir unificar duas alas do Hip Hop que não se batem muito: os gangstas e os rappers igrejeiros (ops, evangélcos….ops gospels ) que iriam ficar incomodados com a idéia.
Mas será que no meio do movimento Hip Hop onde tem um monte de caras dando uma de machão e tal, num tem uns enrustidos? Fica a pergunta.

Quem fica aí atacando muito os gays, são os mais preocupantes. Quem fica muito firmando sua masculinidade pra mim, deve estar preocupado com alguma coisa!

Para terminar, conto um fato engraçado, á uns meses fui contratado para tocar numa boate GLS, no começo cheguei meio assim, ressabiado, desconfiado, e comecei a tocar, umas batidas fortes.
Juro, eles e elas dançaram a noite inteira empolgados, eram pessoas normais, que depois de uma semana de trabalho, estavam fazendo a sua balada, talvez por nunca ninguém ter levado pra eles nosso som black, eles curtiram mais do outros lugares que toquei.

Paulo Shetara, DJ, produtor cultural. Escritor

Matéria retirada do site da CUFA www.cufa.org.br, 16/05/07

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