Programa Nacional de Formação – Recid

Eis o Programa Nacional de Formação (PNF) da Rede de Educação Cidadã (Recid) construído a partir de um processo coletivo, especialmente sistematizado no Encontro Nacional de Formação, realizado em março de 2009 em Luziânia-GO. O texto está composto por uma memória dos passos da construção do programa, sua finalidade, como será colocado em prática (metodologia), conteúdos, pessoas que pretende envolver, ações a serem realizadas, tempo de duração (cronograma) e a sua representação simbólica por meio da mandala.

 

Contudo, não é um documento que finaliza a construção do programa, uma vez que a sua essência exige a sua constante reformulação a partir da práxis (movimento de ação-reflexão-ação). Ele só via se concretizar com o envolvimento dos(as) educadores(as) que estão desenvolvendo processos de formação com grupos diversos em diferentes regiões do Brasil.

Este Programa Nacional de Formação é parte do Plano de Ação elaborado pela Recid, assim como as ações da Política de Comunicação, de Gestão Compartilhada, Sustentabilidade e de Organicidade, elaboradas no 9º Encontro Nacional da Recid.

Enquanto sistematização de um processo de educação popular, este programa não pode deixar de dialogar com a realidade mais ampla na qual deseja interferir. Por isso, dedica, a seguir, alguns parágrafos a uma reflexão conjuntural da realidade: do Brasil e do mundo.

Há uma crise global do modo de produção capitalista, da qual ainda não se sabe exatamente a profundidade e a extensão, mas que desnuda a falência das políticas neoliberais expressas no Consenso de Washington e revela a insustentabilidade econômica, social, ambiental e cultural de um modo de organização da sociedade e esgotamento do modelo de desenvolvimento implementado, baseado sobretudo na esfera da especulação, nas últimas décadas e seus valores. Um modelo que reforça a exclusão de centenas de milhões de pessoas e acentua a concentração da renda.

O Brasil sofreu e ainda sofre as consequências deste modelo de desenvolvimento e projeto de sociedade. A implantação, no governo Lula, de um modelo “social desenvolvimentista”, baseado no mercado interno de massas, tendo o Estado como indutor do desenvolvimento, e em políticas sociais públicas e em relações internacionais soberanas, permite ao Brasil resistir melhor à crise, com menor aumento do desemprego que no plano internacional, menor aumento da fome e da miséria, sem crescimento generalizado da pobreza, como acontece em outros países.

Contudo, este mesmo modelo “social desenvolvimentista” não enfrenta as contradições fundamentais do sistema capitalista, revelado numa tímida distribuição de renda que mantém os lucros do grande capital, especialmente do sistema financeiro;  não conseguindo realizar reformas estruturantes e fundamentais (tributária, política, agrária e a do próprio Estado); não resolvendo os conflitos entre agronegócio e a pequena agricultura, entre crescimento econômico e cuidados com o meio ambiente, entre dependência e autonomia, etc.

A crise econômica internacional por si só não garante nem levará à superação do capitalismo, embora possa abrir oportunidades para seu questionamento, desnudamento de suas estruturas e valores, permitindo aos(às) lutadores(as) e aos que querem a transformação (re)colocar como central para a vida e no debate da sociedade a urgência de um outro projeto e modelo, nas palavras do Fórum Social Mundial:“um outro mundo possível”.

Por outro lado, o Brasil, pelo acúmulo dos movimentos sociais e contribuição da educação popular nas últimas décadas, pelos governos populares em construção, tem um papel importante neste contexto de crise, na América Latina e ante os processos em curso em diferentes países: de aprofundamento da educação popular, de organização dos empobrecidos(as) e trabalhadores(as), de sinalização de uma nova sociedade.

A Rede de Educação Cidadã, à luz desta realidade, busca contribuir nesta tarefa, tendo como horizonte político um Projeto Popular para o Brasil (PPB) e como referencial metodológico seu Projeto Político-pedagógico (PPP), que expressa os princípios de uma educação crítica, busca emancipar os empobrecidos e trabalhadores (os catadores, os desempregados, os pescadores e outras), a população negra, os povos indígenas, os agricultores, os ribeirinhos, as comunidades tradicionais, as mulheres e os jovens, no objetivo de transformar a realidade, o Brasil, a América Latina e o mundo.

 

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