Grupo de mulheres adquire matéria-prima para produção de artesanato com ajuda do Talher/PA

ImageEm Marudá, distrito de Marapanin, distante 196 km de Belém-PA, há uma rua com o nome Liberdade. Mas não é apenas a rua que tem um nome tão sugestivo. Neste endereço, um grupo de mulheres vem conquistando mais liberdade graças ao projeto ErvaVida, apoiado pelo Talher/PA com recursos da Fundação Vale do Rio Doce.
Numa comunidade cuja única fonte de renda é a pesca, às mulheres de pescadores não restava outra alternativa senão cuidar da própria casa e viver em função dos maridos. Pelo menos para 23 mulheres esta realidade começou a mudar desde a criação, em setembro de 1995, do grupo de mulheres ErvaVida.

Segundo lembra Nazaré de Oliveira, 54 anos, o grupo surgiu para animar as mulheres da comunidade, a maioria vítimas do machismo e da violência doméstica. As mulheres não podiam nem mesmo freqüentar a praia. Falar sobre a própria sexualidade e usar camisinha eram assuntos proibidos pelos maridos. Muitas delas foram impedidas até mesmo de fazer cirurgia para evitar gravidez. Há casos de mulheres com até 15 filhos.

No grupo ErvaVida, as mulheres aprendem a fabricar medicamentos caseiros bioenergéticos e a confeccionar artesanato. Elas contam com uma infra-estrutura dotada de equipamentos e laboratórios apropriados no Espaço ErvaVida. Uma lista de 71 produtos que vão de compostos, chás, elixires, garrafadas, óleos, entre outros, compõem o leque de alternativas oferecidas ao consumidor.

O mais procurado, segundo Raimunda Odete Rosário, 61 anos, uma das pioneiras do projeto, é o Gargamel, xarope utilizado para a inflamação da garganta. No mês de julho, época em que a cidade é lotada por Turistas, as mulheres registram um aumento nas vendas, mas nos meses seguintes a situação não é tão boa para a saída dos produtos.

No grupo, elas se apelidaram de bruxas. Há a “bruxa dançarina”, a “bruxa vergonhosa’, entre outras. Para Rosenilde, 27 anos, uma das coordenadoras, “bruxa é a mulher capaz de manipular os produtos da natureza para dar mais saúde para as pessoas”. As bruxas estão aprendendo também a ler. Seis delas são alunas, no período noturno, do Brasil Alfabetizado. Além de conseguir ler, a maior motivação delas é escrever cartas para familiares distantes.

A ajuda financeira do Talher/PA permitiu ao grupo comprar matéria-prima para produzir remédios e artesanatos. Esta é, segundo a coordenadora, uma outra dificuldade enfrentada. Em muitos casos, os insumos precisam vir da capital do estado. Além da produção de remédios e artesanatos, as mulheres do grupo ErvaVida estão mudando a realidade alimentar do distrito, baseada apenas na produção de peixe.

No início de maio, elas promoveram, com apoio do Talher/PA, um encontro que reuniu mais de 70 mulheres para discutir a segurança alimentar e nutricional. A partir desta atividade, elas viram a necessidade de implantar um curso para aumentar a capacidade nutritiva das famílias. O curso, que já está sendo colocado em prática, ensina as mulheres a fazer comida com maior valor nutritivo utilizando apenas recursos produzidos nos próprios quintais.

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