Carta Pedagógica Bahia (07/2012)

Aos/as Companheiros/as da Recid de Todo o Brasil

  

Nós aqui da Bahia, terra bonita e de muita alegria

De gente e de clima bom

Começamos esta carta com gosto e muito amor.

E como muito gosto lhes escrevemos

Pra contar-lhes o que por aqui estamos fazendo.

Envolvidos em Teatro e Conselhos de direitos

Propondo, lutando e enfrentando os prefeitos.

Também na luta do campo, terreiros e quilombo,

Junto com o povo, somando e propondo.

Tentando a nossa realidade transformar

Assim, a vida dos sujeitos melhorar

Utilizando esse método  de educação popular

Método que Paulo Freire trabalhou e difundiu

Visando transformar a estrutura do nosso Brasil

em um Brasil Popular.

 

A luta da RECID-Bahia é árdua, mas, gratificante e fortalecedora. Cada vez mais temos refletido nossas fragilidades e buscado, ainda que vagarosamente, nos fortalecer e ampliar nossos horizontes. As regiões (Chapada Diamantina/Piemonte do Paraguaçu, Extremo Sul, Metropolitana, Recôncavo, Sertão Produtivo, Sisal, Sul) que estão envolvidas na RECID e vão se envolvendo é um “mundão de meu Deus” e cada uma delas estão desenvolvendo e envolvendo a luta, trabalhando na Construção do Projeto Popular para o Brasil. Cabe ressaltar que estamos num processo de re-apropriação da identidade da rede de das suas intencionalidades. E em meio algumas perdas e questões internas envolvendo a entidade âncora que geriu (financeiramente e “pedagogicamente”) a Recid-Bahia, no último convênio com o IPF, sobrevivemos e demos um passo que significou uma outra postura nesse novo convênio com o CAMP. Multiplicado/as em 08 regiões (Chapada Diamantina/Piemonte do Paraguaçu, Recôncavo, Extremo Sul, Sertão Produtivo, Litoral Sul, Metropolitana, Sudoeste, Sisal) desse mundão de meu Deus, que é a Bahia, nós, educadores/as contratados/as e voluntários/as realizamos trabalhos/ações/atividades onde estiveram envolvidos homens e mulheres (maioria), agricultores/as, quilombolas, povos de terreiro, professores/as; Conselheiros Tutelares; trabalhadores; Conselhos de Direitos, Associações de bairro (e do Campo) e Grupos Culturais, Mulheres, Juventude, LGBT. Nossos trabalhos foram voltados para o Direito Humano à Alimentação Adequada/SAN; Desenvolvimento Sustentável; Educação e Cultura Popular (Teatro); Questão étnica racial (Consciência Negra); Juventude e Participação Social; Direitos Sociais; Valores Comunitários; Solidariedade. Algumas regiões apostaram em “módulos” de formação, fortalecendo o trabalho de base, se utilizando de variadas ferramentas, como oficinas de teatro, cursos de artesanatos. Tivemos várias dificuldades para desenvolver nossos trabalhos, principalmente o formato desse convênio, mas, como somos brasileiros e baianas/os arretadas/os, resistimos e não deixamos a “peteca cair”. Algumas das atividades, na maioria das regiões foram continuadas, de modo à não pulverizá-las. Vivenciamos experiências do saber popular, com o fortalecimento e/ou articulação dos grupos com os quais trabalhamos, instrumentalizando sua participação nas conferências municipais, territoriais e/ou nacional.

 

Decidimos por não pulverizar as nossas atividades e assim as desenvolvemos, num processo continuado, fortalecendo o trabalho já iniciado e formando núcleo. Mas, “pagamos um preço”, pois não realizamos oficinas com outros municípios, apesar de mantermos os contatos e articulações; e portanto, também não conseguimos realizar todas as ações previstas em nosso planejamento, todavia, desenvolvemos um processo muito importante em uma Comunidade (Vila São Roque), à partir de um grupo de jovens, que acabou por envolver toda a Comunidade, como diz seu Niam Pescador, “de mamando à caducado”. Nas Oficinas que realizamos na Comunidade Vila São Roque, percebemos um novo público, que é muito jovem e não possuem experiência/vivência com movimentos/organizações sociais, alguns ainda são crianças; mas, possuem uma vontade imensa de participar e aprender; está sendo uma experiência desafiadora para nós, pois não estávamos “acostumados” com esse público, tivemos que ver uma outra forma/metodologia de interagir com eles; mas estamos otimistas, e continuamos a caminhada. Fortalecemos parcerias importantes nos municípios que trabalhamos: o Atelier by Drika, Casas Paroquiais, Fundação Mamãe África, Projeto Tudo Por Um Sorriso, UESB. Em nível de Estado, não conseguimos fazer parcerias, é um desafio que ainda não conseguimos avançar, apesar de termos destacado em nosso Planejamento anterior, como uma prioridade; mas, neste aditivo, planejamos algumas ações neste sentido. Em destaque, apontamos o aumento de encontros/reuniões que nosso Coletivo Estadual teve, além de Reuniões Ampliadas (com uma participação maior de educadores/as voluntários/as); e, nestes encontros, investimos mais nos momentos de formação, descentralizando as discussões que rolavam em torno das questões financeiras/de gestão; o que qualificou um pouco mais nossas discussões. Melhoramos no processo de prestação de contas das oficinas (dos trabalhos de base até o relatório final).  A Recid Bahia conta hoje com um número maior e mais presentes de Educadores/as voluntários/as, e isso é conseqüência das mudanças e posturas que se fez necessárias e que adotamos. Nossa gestão teve uma visível melhora que refletiu nas nossas oficinas/atividades; todavia, compreendemos que ainda precisamos avançar. Em contrapartida, ainda “pecamos” no não cumprimento de algumas tarefas estaduais/nacionais; o que tem nos causado transtornos e fragilidades; também precisamos avançar nos processos políticos pedagógicos para além da rede; e, como passo inicial, estamos/estivemos nos envolvendo nos Seminários de Educação e Movimentos Sociais, Grupo Territorial de Mulheres, Rio + 20, Conferência Nacional LGBT, outros.  Nesse processo todo, compreendemos que precisamos avançar muito e fazer um esforço tremendo, para podermos dar nossa parcela de contribuição na construção de um Projeto Popular para o Brasil, e de um país mais justo.

 

 

 

 

Muito Axé!

Educadores/as Militantes da RECID-Bahia.

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